Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a presença feminina nos espaços de decisão das entidades contábeis do Rio Grande do Sul ganha ainda mais visibilidade. À frente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), a presidente Patrícia Arruda avalia que o avanço é resultado de preparo técnico, engajamento institucional e de uma mudança cultural em curso.
Segundo ela, as mulheres já são maioria entre os profissionais registrados no Estado, mas a consolidação dessa representatividade nos cargos de liderança ainda exige continuidade de ações estruturadas e comprometimento coletivo.
A dirigente afirma que acompanha esse movimento “com muito orgulho e senso de responsabilidade” e ressalta que o crescimento da presença feminina em cargos de liderança é fruto de uma construção coletiva, baseada em competência e preparo técnico. Patrícia lembra que as mulheres sempre tiveram participação expressiva na contabilidade e que, agora, essa presença também se reflete nos espaços de decisão, fortalecendo a governança e ampliando a representatividade da classe. Segundo a mulher a assumir a presidência do Conselho, ela destaca que o fato reforça a importância de ampliar as oportunidades de ocupação feminina.
Embora desde o ano passado o percentual de mulheres registradas tenha superado o de homens, a presidente reconhece que essa proporção nem sempre se refletiu nos cargos estratégicos. Para ela, o cenário está em evolução, à medida que mais profissionais passam a ocupar funções decisórias e a participar ativamente das instâncias institucionais. O Rio Grande do Sul, afirma, já é referência nacional, com mulheres na presidência de entidades e sindicatos em diversas regiões. Ainda assim, enfatiza que o compromisso é continuar avançando e contribuindo para um movimento nacional de valorização da liderança feminina.
Entre os desafios, Patrícia aponta barreiras culturais e estruturais, como a dupla jornada e a dificuldade de conciliar responsabilidades familiares e profissionais, além de vieses inconscientes que influenciam decisões. “Superá-los exige transformação cultural, políticas de incentivo e ações permanentes de conscientização”, defende. Ela também reconhece que, embora a contabilidade seja uma profissão técnica e regulamentada, ainda há diferenças em alguns segmentos, especialmente em cargos executivos e de alta gestão, que segundo afirma, deve ser enfrentado com transparência e compromisso com a equidade.
A transformação digital e as novas exigências regulatórias, na avaliação da presidente, também têm impacto direto nesse cenário. Para ela, a tecnologia demanda lideranças mais estratégicas e adaptáveis, e muitas mulheres vêm se destacando por competências como visão sistêmica e gestão colaborativa. A inovação amplia oportunidades, desde que haja igualdade de acesso à capacitação e às ferramentas necessárias para acompanhar as mudanças do mercado.
Patrícia sustenta que a diversidade fortalece a profissão ao ampliar perspectivas, qualificar o debate e aprimorar a tomada de decisões. Ambientes plurais, observa, tendem a ser mais inovadores, éticos e sustentáveis por incorporarem diferentes experiências e visões de mundo.
Para a presidente, as entidades têm papel fundamental na promoção da igualdade de oportunidades e na valorização da diversidade, por meio de ações educativas e do fortalecimento de uma cultura organizacional mais justa. Ela ressalta ainda o efeito simbólico de uma mulher ocupar a presidência do Conselho, ao demonstrar que não há limites para atuação feminina na contabilidade e ao inspirar outras profissionais a assumirem protagonismo nas decisões institucionais.
Fonte: Jornal do Comércio, por: OSNI MACHADO, E-mail: osni.machado@jornaldocomercio.com.br
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